quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Homens são mais propensos a ter câncer do que mulheres

Estudo analisou 36 tipos diferentes de câncer que afetam ambos os sexos. Na maioria dos casos, homens contraíram mais a doença
Redação ÉPOCA, com agências
O câncer atinge mais homens do que mulheres, afirma um estudo da American Cancer Society. Segundo a análise, feita com 36 tipos diferentes de câncer que afetam ambos os sexos, mais homens foram diagnosticados e morreram da doença do que mulheres.

O estudo levantou dados dos casos de câncer entre 1977 e 2006 nos Estados Unidos. Leucemia, câncer de cólon e reto, pâncreas e fígado mataram até duas vezes mais homens do que mulheres. Além disso, o câncer de pulmão matou quase duas vezes e meia mais homens durante o perído do que mulheres.

Segundo os pesquisadores, mais homens morreram porque a quantidade de homens diagnosticados é maior, mas uma vez diagnosticado, a taxa de mortalidade do câncer é praticamente a mesma. A grande questão é saber porque homens desenvolvem câncer em porcentagens maiores do que mulheres.

O motivo dessa diferença ainda não está claro, mas segundo o líder do estudo, Michael Cook, parte dela pode ser explicada pelo estílo de vida, já que homens costumam se expor mais a situações de risco, como fumar e beber. Doenças relacionadas a prática do fumo, como câncer de boca e garganta, atingiram cinco vezes mais homens do que mulheres, por exemplo.

Além disso, mulheres cuidam mais da saúde e fazem exames com maior frequência, o que ajuda a diagnosticar mais cedo a doença. Diagnosticar o câncer em etapas iniciais é crucial para tratar a doença. Cook ressalta, entretanto, que o estilo de vida não é o único fator, e diferenças hormonais ou de metabolismo podem estar relacionadas. "Se pudermos identificar as causas da diferença entre os sexos na incidência e mortalidade por câncer, ações preventivas poderiam reduzir a quantidade de casos em homens e mulheres", diz Cook.
fonte:
http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca

O dólar está barato, e agora?

A moeda americana chegou ao valor mais baixo desde 1999. Isso é bom para o Brasil? Economistas avaliam que o momento é bom para comprar produtos
Bruno Calixto

 Arquivo
PECHINCHA
Dólar chega ao patamar mais baixo desde 1999. Momento é bom para comprar eletrônicos e viajar
Na última semana, o preço do dólar caiu por seis dias seguidos, atingindo o menor patamar desde janeiro de 1999, quando o valor da moeda passou a ser definido pelas cotações de mercado. O governo logo reagiu, e anunciou medidas para tentar estabilizar a queda. O aumento da taxação de operações de câmbio funcionou nos dias seguintes, mas economistas são céticos quanto à possibilidade de retenção da queda por muito tempo. Apesar das preocupações do governo, o dólar barato anima brasileiros que vão viajar ou comprar produtos importados. Afinal, o dólar tão barato é bom ou ruim para nós?

Para o consumidor brasileiro, pode ser muito positivo. Dólar barato significa um bom momento para viajar e fazer compras. Com o real valorizado, viagens para o exterior ficam mais baratas para os bolsos brasileiros. Usar o cartão de crédito internacional também pode ser vantajoso, já que o consumidor paga o preço do dólar na data da fatura do cartão, e a expectativa é que a moeda continue caindo - ou pelo menos que não fique mais cara nos próximos meses.

Comprar dólares como investimento, no entanto, pode não ser uma boa ideia. Como um dos principais fatores para o preço da moeda americana estar tão baixo é a conjuntura internacional - principalmente a crise nos Estados Unidos - nada indica que a moeda possa valorizar no curto prazo. Quem pretende investir em dólar agora pode ver seu dinheiro cair ainda mais nos próximos meses.

A moeda americana chegou a esse patamar por uma conjunção de fatores internacionais. Na verdade, o dólar já vem caindo há um bom tempo. Desde quando explodiu a crise financeira nos Estados Unidos, em 2008, os países industrializados vivem momentos de incerteza econômica, com altas taxas de desemprego. Nos últimos dias, o cenário internacional acirrou essa queda. Na Europa, a crise na Grécia levantou temores sobre uma recessão em todo o bloco europeu. Nos Estados Unidos, o presidente Barack Obama enfrenta dificuldades em aprovar um novo teto para a gigantesca dívida americana.

Com as incertezas, investidores passam a aplicar dinheiro em outras moedas. Nesse cenário, o Brasil se torna um destino interessante para a especulação financeira, porque vive um período de estabilidade econômica, mas principalmente porque pratica juros altos, o que remunera o capital internacional. "Nessa incerteza, os investidores se retraem e não aplicam no dólar, procurando outras moedas. O Brasil tem juros altos e economia estável, e, por isso, atrai esse capital, o que valoriza o real", afirma a economista Lia Valls, pesquisadora do Instituto Brasileiro de Economia, da Fundação Getúlio Vargas.

Curiosamente, um dos resultados dessas operações entre investidores acaba sendo o aumento do poder de compra do brasileiro, que passa a ter uma melhor situação para consumir não só no exterior, mas também no Brasil. Segundo o especialista em câmbio Túlio Santos, da B&T Corretora, a situação já modifica os preços de produtos importados no Brasil. "O dólar já está barato há algum tempo, e isso já está influenciando os preços de importados no mercado. O brasileiro está com um poder de compra maior, principalmente em produtos tecnológicos." Carros, eletrônicos e uma série de produtos que vêm do exterior - ou usam peças compradas lá fora - ficam mais baratos para o consumidor brasileiro.

Além disso, outro efeito positivo é que a queda do dólar ajuda a controlar a inflação, já que facilita a entrada de produtos importados. "O dólar baixo supre a falta de produtos no mercado interno com importados mais baratos, o que ajuda a manter a inflação baixa. Essa poderia ser uma estratégia do governo para o combate à inflação em alguns setores específicos", diz Santos.

Apesar da cotação baixa do dólar ser positiva para consumidores, a tendência preocupa o governo. O grande problema é que ela compromete a competitividade da indústria nacional. A desvalorização da moeda americana prejudica os exportadores, pois os seus produtos ficam mais caros no exterior, comparados com os de outros países, e também a indústria local, que não consegue competir com os produtos importados mais baratos. Segundo análise da Confederação Nacional da Indústria (CNI), o setor industrial brasileiro enfrenta queda de produção, enquanto ao mesmo tempo as vendas aumentam no varejo. Isso significa que os produtos da indústria nacional estão sendo substituídos por produtos importados na escolha do consumidor.

Alguns setores já falam em risco de desindustrialização: como os consumidores estão substituindo produtos nacionais pelos importados, fábricas nacionais perdem mercado e correm risco de ir à falência. Se isso se tornar um processo de longo prazo, o Brasil pode perder suas indústrias, aumentando o desemprego.

Segundo o empresário Jorge Gerdau, que preside a Câmara de Política de Gestão do governo Dilma Rousseff, o Brasil já está vivendo um processo de desindustrialização. "O Brasil tem que definir limites de entrada de capitais estrangeiros, que alimentam a desindustrialização e intensificam o valor do real", disse, após reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES). O empresário, que é muito próximo da equipe econômica do governo, disse que a presidente "tem preocupação total" com o problema, mas que é preciso ter uma melhor definição da situação internaional antes de agir.

Para Lia Valls, no entanto, ainda é cedo para falar em desindustrialização. "Para saber se existe tendência de desindustrialização, precisa analisar a questão no longo prazo. Além disso, há outros fatores que contribuem para a perda da competitividade das empresas brasileiras, como falhas na infraestrutura, alta tributação e juros altos", afirma.

Se o dólar vai continuar caindo no longo prazo, é difícil prever. A situação depende principalmente dos americanos, que negociam aumentar o limite da dívida do país. De qualquer forma, tudo indica que, a curto prazo, a moeda vai continuar caindo. "Claro que chega uma hora que vai estabilizar, mas acho que ainda tem espaço para uma pequena queda nos próximos meses", diz Santos. Ou seja, os consumidores ainda devem ter alguns meses de boas compras para produtos importados. Mas é bom o país ficar alerta para evitar que o câmbio prejudique a economia nacional, e não culpar a valorização do real como único fator a prejudicar a competitividade dos produtos brasileiros.
fonte:
http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca

O mito da felicidade

A pressão por ser feliz pode atrapalhar seu caminho para viver melhor. Novos estudos propõem como cada um pode encontrar seu próprio bem-estar
LETÍCIA SORG. COM JULIANA ELIAS
Fotos: reprodução
A resposta de qualquer pai ou mãe, questionado sobre o que deseja para os filhos, está sempre na ponta da língua: “Só quero que sejam felizes”. A frase não deixa dúvidas de que, numa sociedade moderna, livre de muitas das restrições morais e culturais do passado, a felicidade é vista como a maior realização de um indivíduo. Até governos nacionais se viram na obrigação de fazer algo a respeito. Neste ano, a China e o Reino Unido anunciaram a intenção de medir o grau de felicidade de seus habitantes. Os governantes, espera-se, querem o melhor para seu país, assim como os pais querem o melhor para seus filhos. Mas a ambição de sempre colocar um sorriso no rosto pode ter um efeito contrário. A pressão por ser feliz, condição nada fácil de ser definida, pode acabar reduzindo as chances de as pessoas viverem bem.
“Quero que meus filhos sejam felizes, mas também que encontrem um propósito e conquistem seus objetivos”, diz o americano Martin Seligman, considerado o mestre da psicologia positiva. Depois de estudar a busca da felicidade por mais de 20 anos, ele afirma ser tolice elegê-la como a única ambição na vida. Ex-presidente da Associação Americana de Psicologia, professor da Universidade da Pensilvânia, pai de sete filhos e avô pela quarta vez, Seligman reviu suas teorias e concluiu que é preciso relativizar a importância das emoções positivas. “Perseguir apenas a felicidade é enganoso”, diz Seligman a ÉPOCA (leia a entrevista). Segundo ele, a felicidade pode tornar a vida um pouco mais agradável. E só. Em seu lugar, o ser humano deveria buscar um objetivo mais simples e fácil de ser contemplado: o bem-estar.
Em seu novo livro, Flourish (Florescer), Seligman apresenta cinco fatores fundamentais para viver bem. A felicidade (emoções positivas), quem diria, seria apenas um deles, ao lado de propósito, realização, engajamento e relações pessoais (saiba mais no quadro abaixo). “O que eu pensava dez anos atrás era parecido com o que Aristóteles dizia, que havia um único objetivo final, a felicidade”, afirma o americano. Mas ele observou que, muitas vezes, decidimos fazer coisas que não melhoram exatamente nosso humor. Como, por exemplo, ter filhos.
O que importa para viver bem
O psicólogo Martin Seligman afirma que a felicidade é só um dos elementos responsáveis por nosso bem-estar. Conheça os outros
Ilustrações: Andrea Ebert; Foto: Eugenio Sávio/ÉPOCA 
Para casais estabelecidos, que sonham com uma família, a notícia de uma gravidez costuma levar pai e mãe às nuvens. O nascimento da criança é motivo de celebração, com direito a vídeo do parto e incontáveis fotos. Mas, segundo pesquisas de opinião, a alegria dura pouco, e nossa percepção de felicidade diminui nos primeiros anos de vida das crianças. Uma provável explicação para o resultado seria que, ao responder ao questionário, somos influenciados por fatores comezinhos, como as noites maldormidas e as fraldas sujas. De qualquer forma, apesar disso, as pessoas continuam a ter filhos porque, mais do que alegria, eles dão sentido a nossa existência.
Eugenio Sávio/ÉPOCA
Grávida de sete meses de Francisco, hoje com 4 anos, Cristiana enfrentou uma tragédia: o pai do bebê, seu namorado, Guilherme Fraga, morreu após uma parada cardíaca, aos 38 anos. Em luto, ela começou a escrever um blog, Para Francisco, em que apresentava o pai ao filho. Por meio dos textos, Cristiana não só superou a dor, como descobriu uma nova vocação, a de blogueira. Lançou um blog de moda, o Hoje Vou Assim, que se tornou fonte de satisfação e renda
A ideia de que a vida é mais do que a busca de sensações positivas não é nova. Ao escrever que a felicidade é o motivo por trás de todas as razões humanas, Aristóteles não defendia viver apenas em busca de emoções positivas e prazeres. Para o filósofo grego, ser feliz era praticar a virtude. Mesmo Thomas Jefferson, que alçou a felicidade a um direito na declaração de independência americana, em 1776, não defendia ser feliz acima de qualquer coisa, como queremos hoje. No livro A democracia na América, Alexis de Tocqueville afirma que, para Jefferson, a felicidade envolvia conter desejos para obter objetivos de longo prazo. O que muitos afobados de hoje resistem em fazer.
A noção de que a felicidade é um objetivo tangível – e não um horizonte que norteia nossas ações – só se tornou dominante na sociedade moderna. Sua base vem do iluminismo, que colocou o indivíduo – e suas necessidades – no centro das preocupações humanas. É dessa época a teoria utilitarista, que defendia a busca da maior quantidade de felicidade para o maior número de pessoas. Para o jurista e filósofo inglês Jeremy Bentham, a felicidade era a vitória do prazer sobre a dor. A partir do século XVIII, começou a ganhar força a ideia de que temos de evitar as sensações negativas. O principal problema dessa filosofia de vida é basear-se em princípios muito frágeis e efêmeros: as emoções. “Os sentimentos positivos e negativos não podem ser entendidos como fins em si mesmos”, afirma a pesquisadora norueguesa Ragnhild Bang Nes, do Instituto de Saúde Pública do país.
Rogério Cassimiro/Época
Nascido em Maceió, João Baptista tinha 20 anos quando deixou para trás a família e abraçou a vida religiosa em um convento em Goiânia. Hoje, vive em São Paulo, onde é responsável pela biblioteca do Mosteiro de São Bento. Para ele, abdicar dos prazeres mundanos pela clausura da vida monástica não foi um peso: faz parte do propósito que escolheu para sua existência
As emoções negativas, embora desagradáveis, podem servir de alerta para o indivíduo de que há um problema que precisa ser resolvido ou prepará-lo para experiências futuras. Como uma espécie de teste, elas parecem desafiar nossos planos de viver bem. A publicitária mineira Cristiana Guerra sabe como poucos o que é enfrentar situações difíceis e ser obrigada a superá-las. Aos 24 anos, perdeu a mãe e, aos 31, o pai, ambos para o câncer. Casada, chegou a engravidar duas vezes, mas perdeu os bebês. Aos 36, em um novo relacionamento, o sonho de ser mãe foi realizado, mas o pai de Francisco não chegou a conhecê-lo. Guilherme Fraga, então com apenas 38 anos, morreu após uma parada cardíaca quando Cristiana estava no sétimo mês de gravidez. “No dia em que Francisco nasceu, eu chorava, chorava. Meio de alegria, meio de tristeza.”
Para lidar com mais esse trauma, Cristiana decidiu escrever. Quando o bebê estava com 4 meses, transformou as anotações que já fazia em seu diário em um blog, batizado de Para Francisco. A ideia inicial era reunir num só lugar textos contando para o filho como era o pai que ele não conheceu. “Eu passava as madrugadas escrevendo e chorando. E cada vez que conseguia expressar o que era aquela tristeza, e as pessoas entendiam e compartilhavam seus sentimentos comigo, me dava uma alegria muito grande. Aquilo já era uma forma de felicidade”, diz Cristiana. Ao longo dos anos, as seguidas perdas foram responsáveis por uma espécie de transformação interior. “Acabei criando um senso de sobrevivência muito grande.”
Cinco caminhos para o bem-estar
Dicas da New Economics Foundation para conquistar uma vida melhor
reprodução/Revista Época
A história de Cristiana é um exemplo de como é possível olhar a vida de uma perspectiva positiva mesmo em situações difíceis. Segundo especialistas, os otimistas, como ela, têm mais chance de viver um processo de crescimento pós-traumático – a versão positiva do transtorno de estresse pós-traumático de que tanto se fala. Não que Cristiana não tenha sofrido e chorado muito. Mas ela conseguiu encontrar no trauma uma fonte de força pessoal. Pesquisas feitas com veteranos de guerra mostram que a maioria – cerca de 80% – é capaz, assim como Cristiana, de transformar em algo positivo um evento traumático. Um fator importante para conseguir superar a dificuldade é o otimismo. “Os otimistas são mais esperançosos, resilientes, saudáveis e têm um desempenho melhor do que o esperado no trabalho, na escola e nas relações”, afirma Martin Seligman. “Eles pensam que os efeitos das dificuldades são temporários, e suas causas, específicas, delimitadas. E que a realidade é mutável.”
É consenso entre os pesquisadores que grande parte da felicidade, assim como a personalidade, é determinada já no nascimento. “A genética explica quase metade da variação da felicidade”, diz Ragnhild Bang Nes, do Instituto de Saúde Pública da Noruega. Mas, se a felicidade já está inscrita nos genes, não podemos alterá-la? Segundo Martin Seligman, é possível aumentar a duração e a intensidade das emoções positivas, mas a melhoria esbarra num teto: a personalidade de cada um. O conformismo, então, é o que nos resta? Não, responde Seligman. Para ele, a principal vantagem da teoria do bem-estar é permitir a qualquer um, independentemente de sua personalidade ou condição de vida, avançar para uma situação melhor. Como viver bem dependeria não só das emoções positivas, mas também de outros quatro fatores, cada um pode encontrar seu próprio caminho. “Minha razão para negar um lugar privilegiado para a emoção positiva é a libertação”, afirma o psicólogo em seu livro. “A visão de que a felicidade está ligada ao humor condena 50% da população do mundo, que é introvertida, ao inferno da infelicidade.” Na teoria do bem-estar, ou do florescimento, quem não é “para cima” pode compensar adicionando propósito e engajamento à própria vida. Por esse raciocínio, nem todo mundo conseguiria ser exatamente feliz, mas todos podem viver bem.
Saber disso tira uma tonelada de ansiedade de nossos ombros. Em vez de tentar se adaptar a outro jeito de ser, de buscar o bem-estar em terras longínquas, é possível cultivar um jeito próprio de viver bem. O administrador Leonardo Grespan encontrou seu bem-estar no trabalho diário e, para isso, abriu mão de prazeres imediatos. Em fevereiro deste ano, completou 31 anos, mas não pôde comemorar. Naquela sexta-feira, chegou ao escritório às 9 horas, só saiu à meia-noite e, no domingo, enfrentou mais um plantão de 15 horas de trabalho. Tudo por causa da fusão dos bancos Real e Santander, concluída naquele fim de semana. Seu desejo de celebrar uma data especial deu lugar às obrigações profissionais, que implicavam desgaste físico e emocional, algo com que muitos se acostumam em nome de um objetivo maior. “Ver um projeto a que você dedicou mais de um ano dar certo traz uma satisfação indescritível”, diz Grespan, gerente de projetos no Santander. “Tem de realmente vestir a camisa do que você faz. Senão, não faz sentido.” O trabalho em excesso pode ter limitado as sensações de felicidade, mas certamente não lhe faltaram realização e engajamento, dois dos cinco fatores que, de acordo com Martin Seligman, compõem a condição plena de bem-estar.
Enquanto trabalhava incansavelmente para atingir seus objetivos – e os de sua empresa –, Leonardo Grespan provavelmente experimentava aquilo que especialistas chamam de “estado de fluxo”, termo criado pelo psicólogo húngaro Mihaly Csikszentmihalyi. Nele, nós nos fundimos com o que fazemos. Não interessa a atividade, o importante é que ela desafie nossa capacidade e nos mantenha ocupados. “Temos tão pouco tempo que a melhor coisa é gastá-lo com coisas de que gostamos”, diz o monge João Baptista Barbosa Neto, de 29 anos, um dos 45 religiosos que vivem no Mosteiro de São Bento, em São Paulo. Membro da ordem beneditina, João Baptista adota a reclusão como forma de vida – e de proximidade com Deus – e segue uma rotina rigorosa e pontual de rezas e trabalhos diários dentro do mosteiro. Seu dia tem início às 5 horas, com a primeira oração, e se encerra às 19 horas, com a última. Ele também aprendeu a conviver com a saudade da família, que deixou em Maceió, quando, aos 20 anos, foi morar em um convento em Goiânia. Todos os sacrifícios ficam leves porque fazem parte de um propósito – outro componente do bem-estar, segundo a teoria de Seligman –, o sentido que João Baptista dá a sua vida. “Tive de me adaptar à reclusão, mas esta foi a vida que busquei.”
Stefano Martini/Época
Dos 3 aos 23 anos de idade, o principal propósito da vida de Ricardo Prado era o esporte. Para ele, a felicidade tinha a forma de uma medalha, conquistada com muitos sacrifícios. Mas a fórmula que funcionou por 20 anos se esgotou, e Ricardo decidiu buscar seu bem-estar fora das piscinas. “O momento mais feliz de minha vida? Talvez eu não tenha vivido ainda. Mas tive uma vida de muitos momentos felizes”
No caso do ex-nadador Ricardo Prado, por muitos anos o propósito maior foi o esporte. Para ele, a felicidade tinha a forma de uma medalha de ouro, em particular a que guarda desde 1982, quando, aos 17 anos, venceu o Campeonato Mundial de Natação, no Equador. Além de chegar em primeiro, quebrou o recorde mundial dos 400 metros medley. Nos dois anos seguintes, ainda garantiria ao país duas medalhas de ouro e duas de prata nos Jogos Pan-Americanos de Caracas e uma de prata nas Olimpíadas de 1984, em Los Angeles. “Não sou competitivo. Mas ganhar dá uma sensação de missão cumprida”, diz.
As conquistas não vieram de graça. Ricardo começou a nadar aos 3 anos, no clube da cidade, o caçula de cinco filhos em uma família simples de Andradina, no interior de São Paulo. No início da década de 70, fazer algum esporte era uma forma de conseguir bolsa de estudos em bons colégios e, com sorte, viajar mundo afora. Aos 15 anos, o nadador mudou-se para a Califórnia, onde, além de completar os estudos, passou a treinar no time de Mission Viejo. “Às 5 horas da manhã, eu começava a nadar, às 8, ia para a aula, depois fazia uma hora de musculação e no fim do dia nadava novamente. Praticamente não tinha vida social”, diz. “Mas aquilo já era a felicidade! Eu estava na Califórnia, entre os melhores nadadores do mundo. E eu ganhava de todos eles.”
A vida de competições e treinos puxados não era fácil. Diante das dificuldades extras enfrentadas pelos atletas brasileiros nos anos 80, Ricardo decidiu encerrar a carreira aos 23 anos de idade. “Eu estava cansado. Mas é uma transição difícil, você deixa uma vida inteira para trás e tem de se adaptar a outra.” A nova vida de Ricardo Prado incluiu uma pós-graduação em economia, dar aulas particulares de natação e treinar equipes. Hoje, faz parte da organização das Olimpíadas do Rio de Janeiro e, aos 46 anos, arrisca a dizer que a verdadeira felicidade talvez esteja fora da água. “O momento mais feliz de minha vida? Talvez eu não tenha vivido ainda.”
Histórias como a de Cristiana, Leonardo, João Baptista e Ricardo mostram que o bem-estar pode ser alcançado mesmo diante de privações, desgastes, tragédias e mudanças, numa jornada que depende, essencialmente, de nós mesmos. Os brasileiros parecem concordar com a ideia. Uma pesquisa inédita (leia os resultados no quadro abaixo) encomendada pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) revelou que 61% acreditam que sua felicidade depende de si mesmos. A opinião é corroborada por estudos científicos, que mostram que a personalidade é o que mais influencia a felicidade. A ciência discorda, contudo, da importância que os brasileiros dão a alguns fatores externos, como o dinheiro, especialmente para quem já tem uma boa situação financeira. Nesse caso, estudos sugerem que o dinheiro só faz diferença se o aumento de renda for só seu, e não de todos a seu redor. “Para os mais ricos, felicidade é estar mais alto no ranking do que seus pares”, diz o pesquisador tailandês Nick Powdthavee, de Cingapura, e autor de The happiness equation (A equação da felicidade), 2010. Mas Seligman alerta: “Quem se baliza pela comparação social é menos satisfeito com a vida do que aqueles que levam em conta valores individuais”. É importante também saber como gastar seu dinheiro. Um estudo da Universidade de Chicago analisou nove categorias de produto e viu que apenas uma, a do lazer, estava ligada à felicidade. Seu efeito positivo parece estar ligado ao aumento do contato social. “O dinheiro tem uma relação positiva com a felicidade, mas esta é pequena se comparada com fatores não monetários, como as relações sociais”, afirma Powdthavee.
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No livro Felicidade: lições de uma nova ciência (BestSeller, 2008), o economista britânico Richard Layard coloca as interações sociais – de amizades ou amorosas – como os fatores externos mais importantes de nossa vida. Em sua pesquisa, as pessoas que começam a ver seus amigos quase todos os dias reportaram, ao final de um ano, um nível de felicidade 0,161 mais alto (num total de 7). Isso é mais que o efeito do primeiro ano de casamento, responsável por um aumento de 0,134 na felicidade do casal. O tipo de amizade também é importante, e é melhor que seus amigos sejam bem-humorados. Segundo o médico e sociólogo Nicholas Christakis, autor do livro O poder das conexões (Campus, 2009), a felicidade é contagiosa – assim como a depressão. Cada amigo feliz de nossa rede aumentaria em 9% nosso próprio bom humor – enquanto um amigo infeliz causaria uma queda de 7%. Mas a solução não seria sair correndo atrás de muitos amigos. Em tempos de Facebook, Orkut e outras redes virtuais, em que alguns expõem orgulhosos listas com mais de 2 mil “amigos”, é importante saber qual é sua verdadeira e sólida base social. Segundo o biólogo evolucionista Robin Dunbar, o cérebro humano só é capaz de lidar com 150 amizades ao mesmo tempo. No grupo mais íntimo – e mais importante –, estariam só cinco pessoas. Mas não existem regras. Há quem consiga melhorar seu bem-estar criando relações melhores com mais pessoas e há também quem se sinta confortável com cinco. “Uma das principais sabedorias é respeitar a característica de cada um”, diz a psicóloga Cláudia Giacomoni, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
Obtido o desejado nível de bem-estar, muitos podem perguntar se a conquista seria duradoura. Embora parte dos brasileiros cite a juventude como um fator importante para se sentir feliz, estudos mostram que nosso bem-estar aumenta com o passar dos anos. É verdade que a infância é uma fase propensa a uma grande dose de felicidade, mas o mesmo pode ser dito da terceira idade. Pesquisadores descobriram que, com o envelhecimento, há um aumento de bem-estar. As dificuldades surgem mesmo durante a vida adulta, repleta de desafios, pressões e inevitáveis frustrações. A explicação para essa evolução estaria nas mudanças internas, e não em nosso entorno. Com o passar do tempo, nosso comportamento muda. As pessoas mais velhas brigam menos, sabem como solucionar um conflito, controlam melhor suas emoções e aceitam mais os infortúnios. Há várias teorias sobre por que isso acontece. Laura Carstensen, professora de psicologia da Universidade Stanford, afirma que os mais velhos sabem o que realmente importa e, por isso, focam no essencial. Com isso, aliviam a pressão pela felicidade imediata e se aproximam do bem-estar. Como diz o historiador Richard Schoch, autor do recém-lançado A história da (in)felicidade, quando a felicidade está ligada a algumas condições, deixa de ser um direito de todo ser humano e se torna um privilégio de poucos. Ele diz que basta que tenhamos nascido para termos o direito e a capacidade de ser feliz. Para que esse objetivo não pese sobre nossos ombros, em vez de nos lançarmos numa incessante busca da felicidade – muitas vezes infrutífera –, deveríamos apenas descobrir como viver bem, a nossa própria maneira.
fonte:
http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca

Especial Amy Winehouse para iPad. Baixe de graça

ÉPOCA preparou uma edição especial contando a história da cantora, com textos, fotos e vídeos
Redação ÉPOCA
Ilustração: Alexandre Lucas/ÉPOCA
Ilustração: Alexandre Lucas/ÉPOCA
O legado de Amy Winehouse é muito mais consistente que a imagem do ídolo transgressor. Ela se revelou fundamental na reabilitação da arte vocal na música pop e no revival do gênero soul. Sua voz marcou a primeira década do século XXI. Na contracorrente das estrelas pop como Beyoncé e Lady Gaga, ela se mostrou retrô, vintage, tanto no comportamento autodestrutivo como na música. No início do novo milênio, Amy parecia não vislumbrar o futuro e a experimentação. Preferiu cantar para o passado – e essa reciclagem acabou virando, pelo avesso, uma genuína inovação.
ÉPOCA preparou um especial gratuito para iPad sobre a cantora, encontrada morta em sua casa em Londres no sábado (23), aos 27 anos. Baixe a edição e confira textos, fotos, vídeos e infográficos exclusivos que contam a trajetória de Amy Winehouse (instale o aplicativo da Revista ÉPOCA, da Editora Globo, e baixe o especial de Amy Winehouse gratuitamente).
fonte:
http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca

Pílula também para os homens

O Instituto Nacional da Saúde da Criança e do Desenvolvimento Humano em Washington, nos EUA, tenta desenvolver uma pílula anticoncepcional para homens. E eles afirmam estar mais perto do que longe
Redação Época
Os dias em que só as mulheres precisam tomar pílula anticoncepcional podem estar no fim. Uma pesquisa realizada pelo Instituto Nacional da Saúde da Criança e do Desenvolvimento Humano em Washington, nos Estados Unidos, está prestes a desenvolver uma pílula que reduza tanto a contagem de espermatozóides no esperma que seja absolutamente impossível para o homem engravidar uma mulher.

Servindo como uma alternativa ao uso de camisinhas - bastante rejeitado nos EUA - e o da vasectomia - o único outro método preventivo possível em um homem, mas que acaba com suas chances de procriar para sempre -, a pílula masculina faz com que o corpo “produza esperma não-funcional”, segundo Gregory S. Kopf, da Universidade Médica do Kansas.

“A contracepção masculina é uma área crítica. Não faz sentido não incluirmos todo mundo nesta discussão”, afirmou uma porta-voz do Instituto Nacional da Saúda da Criança, Jenny Sorensen, ao jornal The New York Times.

Até o momento, a maioria dos estudos desenvolvidos têm usado remédios com altas doses de progesterona ou testosterona para controlar a fertilidade, mas nem sempre essas pílulas têm mostrado resultado. Um dos remédios, porém, chamado gamendazole, mostrou resultado. Feita com base em uma pílula contra o câncer, a nova droga foi testada com sucesso em cobaias animais, e agora depende de aprovação do governo americano para ser testada em pacientes humanos.

Outro remédio, testado pelo doutor John K. Amory, da Universidade de Washington, conseguiu inibir a produção de ácido retinoico, essencial para a produção do esperma, mas ele não pode ser usado junto com bebidas alcoólicas se não pode causar graves problemas ao paciente. Debra J. Wolgemuth, da Universidade de Columbia, também testa uma droga que coiba a produção do ácido retinoico.

Além dessas, outras duas pílulas foram pensadas para evitar a ejaculação durante o orgasmo masculino. Uma delas é um remédio para hipertensão e o outro um antipsicótico, mas os pesquisadores ainda tentam reverter seus efeitos apenas para os fins contraceptivos.

Até o momento, os efeitos colaterais das pílulas masculinas têm sido os mesmos que os observados em mulheres: mudanças de humor, problemas de pele, mudanças em taxas cardíacas e de colesterol. Efeitos de longo prazo, porém, ainda são estudados.
fonte:
http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/